INOVAÇÃO EM SAÚDE OCULAR: MIGS TRANSFORMAM O TRATAMENTO DO GLAUCOMA
- Alexandre Netto
- há 3 dias
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Nova geração de procedimentos oferece esperança com menor invasividade
A medicina oftalmológica avança rapidamente com técnicas que combinam eficácia e segurança, mudando o paradigma do tratamento cirúrgico do glaucoma, doença que afeta mais de 70 milhões de pessoas no mundo.
O glaucoma permanece como a principal causa de cegueira irreversível no mundo, silenciosamente roubando a visão de milhões.
Durante décadas, pacientes enfrentaram uma escolha limitada: medicamentos contínuos ou cirurgias tradicionais com recuperação prolongada e riscos significativos.
Este cenário está mudando drasticamente com o advento das Cirurgias Minimamente Invasivas para Glaucoma (MIGS), que representam não apenas uma nova técnica, mas uma completa transformação na abordagem terapêutica.
Para oftalmologistas e pacientes, esta inovação redefine as possibilidades de tratamento, especialmente em estágios iniciais e moderados da doença.
As MIGS emergiram como resposta à necessidade de preencher a lacuna terapêutica entre o tratamento medicamentoso e as cirurgias tradicionais como a trabeculectomia.
Estes procedimentos compartilham características fundamentais: abordagem ab interno via incisão corneal mínima, mínimo trauma tissular, eficácia moderada porém previsível na redução da pressão intraocular, excelente perfil de segurança e rápida recuperação visual.
O arsenal de MIGS inclui diversas tecnologias inovadoras: dispositivos de bypass trabecular (iStent, Hydrus), procedimentos de ablação trabecular (Trabectome, Kahook Dual Blade), dispositivos supraciliares (CyPass - atualmente descontinuado) e procedimentos de drenagem subconjuntival (Xen Gel Stent).
Cada modalidade oferece vantagens específicas baseadas na anatomia e fisiopatologia do glaucoma do paciente.
Estudos recentes demonstram resultados promissores. O estudo HORIZON mostrou que o implante Hydrus combinado com cirurgia de catarata reduziu em 65% a necessidade de intervenções secundárias em comparação com a cirurgia de catarata isolada após 5 anos de seguimento. Similarmente, o iStent inject demonstrou redução sustentada da pressão intraocular com diminuição significativa da dependência medicamentosa.
As MIGS revelam-se particularmente valiosas em cenários específicos: pacientes com baixa aderência medicamentosa, intolerância a colírios, glaucoma inicial a moderado e, notavelmente, como procedimento adjunto durante a cirurgia de catarata. Esta combinação representa uma oportunidade única de intervenção precoce, potencialmente alterando a história natural da progressão do glaucoma.
No entanto, desafios permanecem: variabilidade nos resultados entre pacientes, critérios de seleção ainda em evolução e considerações de custo-efetividade que podem limitar a acessibilidade global a estas tecnologias inovadoras.
As MIGS representam um marco na evolução do tratamento do glaucoma, oferecendo uma abordagem mais segura e menos invasiva que amplia o espectro terapêutico disponível.
Este avanço não apenas melhora a qualidade de vida dos pacientes, como potencialmente altera o prognóstico da doença quando aplicado precocemente.
O futuro provavelmente trará refinamentos técnicos, melhor seleção de pacientes e dados de longo prazo que consolidarão o papel destas intervenções.
Para oftalmologistas comprometidos com o cuidado integral do paciente com glaucoma, dominar estas técnicas não é apenas uma opção, mas uma necessidade para oferecer o melhor cuidado possível em uma era de medicina personalizada e minimamente invasiva.
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